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A nossa hora de pagar nossa língua sempre chega.
E chega com gosto.
Eu dizia que nunca tinha vontade de conhecer o Rio. Preferia ir para o Nordeste.
Na verdade, algumas vezes cogitei fazer isso e, como apareceu uma viagem de última hora à cidade maravilhosa, lá fui eu por dois dias em 2013.
Quando visito uma cidade litorânea, como foi o caso de Recife em 2012, não há nada que eu goste mais do que acordar cedinho e caminhar descalça na praia.
Para mim, afundar os pés na areia enquanto escuto as ondas quebrando na beira-mar é quase tão perfeito para pensar sobre a vida quanto quando estou nadando.
Por isso, perguntei aos locais a que horas o sol nascia em Recife. Depois de me informarem o horário, ficaram intrigados quando expliquei por que queria saber. É claro que acharam que eu era louca.
Quem em estilo de semi-férias - na verdade, estava lá para um congresso - pensa em madrugar em vez de dormir um pouco mais? Em todos os outros casos sou assim, mas não quando o mar está bem de frente para mim.
Eu faria uma conexão de 11 horas em Fortaleza no voo de de retorno ao Brasil.
Certamente não gostaria de repetir a experiência de esperar tanto tempo em um aeroporto, como acoteceu em Frankfurt ano passado, então escrevi amigos para ver se tinham a disponibilidade de me resgatar dali e, com muita sorte, levar para um mergulho no mar depois de dois anos.
Quando criança, minha mãe sempre fez questão que conhecêssemos a história dos pontos turísticos das cidades onde estivemos, de Pirinópolis a Porto Seguro. Talvez isso tenha despertado minha paixão por visitar museus e eventos da minha cidade. Mas não de outras.
Quando estive em São Paulo, meu anfitrião ficou decepcionado porque eu não quis ir ver o que estava rolando no MASP. Ele fez até um mapa.
O problema é que eu queria experimentar a cidade, nos poucos dias que tinha, da forma como ele vivia todo dia: andando de bicicleta até a USP, comendo feijoada no boteco da esquina com direito a uma dose de caipirinha, sentando no bar com cadeiras na calçada e discutindo política.
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| Foto: Priscila Costa. |
Em novembro do ano passado, finalmente, consegui conhecer Urucuia, o olho d’água localizado a cerca de uma hora e meia de Brasília, depois de Formosa, em Goiás.. Tinha essa vontade há mais de um ano quando amigos estiveram lá e postaram fotos.
Também pensei que precisava conhecer logo o lugar porque soube que
saiu na televisão e, daí, quanto mais famoso, mais cheio fica e -
consequentemente - menos cuidado as pessoas têm de preservá-lo.
Como já tinha 5 meses desde que visitei a natureza pela última
vez, coloquei na cabeça que precisava ir a algum lugar e sabia que, o
mais próximo, seria Urucuia.
Então, falei com uns amigos sobre a possibilidade de irmos um fim de semana e, quando tive a confirmação, foi só colocar a mochila nas costas, pegar alguns biscoitos, repelente e partir.
SOBRE

Meu nome é Janaina e tenho 33 anos. Estou na fase de escrever pseudocrônicas sobre minhas percepções da vida na Alemanha.
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