Quando bati os olhos nas fotos de Brasília clicadas por
Max Rocha confesso que pisquei duas vezes para me certificar: "Gente, é Brasília mesmo?!".
É claro que há muito me dei conta que a cidade não é mais resumida aos traços de Niemeyer ou o plano de Lucio Costa. Projetada para 500 mil habitantes, hoje Brasília tem 2,9 milhões de moradores (dados de 2015), ultrapassando Salvador como a terceira capital mais populosa do país:
1 - São Paulo 12.038.175 de habitantes;
2 - Rio de Janeiro, 6.498.837 de habitantes;
3 - Brasília (Distrito Federal) 2.977.216 de habitantes e
4 - Salvador, 2.938.092 de habitantes).
Se a gente para para pensar, Brasília está cada vez mais com sintomas de "cidade grande": engarrafamentos quilométricos, acidentes, aumento da criminalidade, poluição sonora e... prédios altos ou espelhados para todo lado (exceto nas quadras tombadas, onde a altura é regulada), sendo que estes últimos me chamaram ainda mais atenção pela fotografia de
Max Rocha.
Vale a pena conferir seu talentoso trabalho no
Tumblr e no Instagram!
Em tempos de sujeira política, eis que me deparo com a pureza de Brasília registrada pelo fotógrafo baseado em São Paulo,
Bruno Candiotto.
Como poucos confessam (ou ousam confessar), a capital lhe despertou um sentimento de otimismo e patriotismo durante uma visita por aqui.
Bruno, eu fico assim - patriota e otimista - toda vez que pego o ônibus que circula a Esplanada e lanço para as fachadas dos monumentos mais famosos de Niemeyer. De alguma forma entendo porque estão ali; no que Oscar, Lucio e Juscelino acreditavam quando começaram a pensar "Brasília"... mesmo que o plano tenha se desvirtuado no final.
E, olha, não pude deixar de sorrir quando você ainda diz:
"Em Brasília, encontrei silêncio dentro de mim".
Quase tão largo quanto o arco do Museu Nacional.
Sabe, uma vez li, para meu desgosto, que todo este concreto de Brasília despertava uma exagerada e indesejável sensação de assepcia em um certo autor ou uma certa autora... Nunca pensei que limpeza pudesse causar este mal estar a algum cidadão, seja ele brasileiro, que sempre se antecipa em dizer "não repare a bagunça", seja ele estrangeiro, que gosta de chamar a atenção para as favelas no Rio.
Como você mesmo pontua, hoje Brasília reúne diferentes manifestações do país. Tem até um artigo publicado na Universidade de Michigan que fala sobre isso, "
o abrasileiramento de Brasília" (em inglês).
Obrigada por mostrar que ainda há quem veja Brasília com outros olhos.
+Saiba mais
Bruno Candiotto
Todas as imagens: © Bruno Candiotto
Gonzalo Viramonte é fotógrafo e formado em arquitetura pela Universidad Nacional de Córdoba.
Ele esteve em Brasília e fez cliques fantásticos da cidade, captando a beleza exterior (e interior!) dos monumentos e edifícios da capital.
Talvez ninguém concebia a ideia de que era possível 'reduzir' a escala literalmente monumental da arquitetura de Brasília a um minimalismo de igual magnitude. Até que o fotógrafo norueguês Øystein Aspelund foi lá e o fez.
Em um ensaio fotográfico geométrico e surreal, Aspelund ressalta quão grandiosa a obra de Niemeyer é enquando lança mão de efeitos de luz e sombra como forma de contrastar os monumentos com figuras humanas.
Já diria Júlio Cortázar, o escritor argentino:
El caracol vive de la manera que me gusta vivir, él lleva su propia casa con él
Viajantes que sofrem ao mesmo tempo de Heimweh e Fernweh (veja o significado aqui!) entendem isso muito bem. Falo da vontade incontrolável de tanto pôr o pé na estrada quanto voltar para casa.
O bom é que algumas pessoas têm o dom de retratar isso, quer com palavras como Cortázar, quer por meio de imagens, como o artista francês
Laurent Chehere na sua série fotográfica "Flying Houses" ou "Casas Voadoras".
Com um toque um tanto surreal, mas também muito real, Chehere imagina como seria se diferentes tipos de moradia estivessem a sobrevoar por aí, levando junto seus moradores com mala e cuia.
Gosto da ideia. Acho que muito mais legal do que povoar o céu com drones especulando e xeretando a sua vida seria casas de toda parte do mundo, com viajantes como vizinhos ocasionais, trocando açúcar e culturas.
Elizabeth Gadd, fotógrafa canadense de 21 anos, cresceu em meio a cenários rodeados por montanhas, florestas e campos, onde se acostumou a percorrer e explorar por vezes sozinha, por vezes com seus dois cachorros.
Destas peregrinações, das quais muitas fez sozinha, Elizabeth aprendeu a se conectar com a natureza de uma forma silenciosa, mas potente, a qual passou a registrar em uma série fotográfica denominada Breathe. Não é à toa que seu trabalho fotográfico transmite uma forte sensação de Wanderlust, palavra em alemão para definir "forte desejo ou impulso de viajar e explorar o mundo para entender sua própria existência".