Como em todo lugar onde as estações do ano são bem definidas, a gente sabe que o outono está chegando quando as folhas das árvores começam a ficar amarelas, vermelhas e laranjas... mas há outras sutilezas que também fazem parte desta estação: você sabe quais são?




É, amigos e amigas jornalistas, não está fácil. Os maus tratos infligidos pelo candidato do Exército recém-eleito presidente a profissionais dessa categoria vêm de longa data e, como era de se esperar,  só tendem a piorar. 

Prova é que até mesmo os correspondentes estrangeiros no Brasil lançaram um manifesto (leia aqui) com denúncias de assédio e insultos xenofóbicos, os quais se intensificaram desde o fim do segundo turno. Não era para menos: um ou dois dias após o fim das eleições, quando perguntado por uma repórter do Clarin sobre o status do Mercosul no próximo governo, o Posto Ipiranga Paulo Guedes achou por bem não só desdenhar o Bloco do Cone Sul como julgou decerto de bom tom afirmar, como um boçal: "(é) isso que você queria ouvir? Você está vendo que esse meu estilo combina com o do Presidente, não é o que você quer ouvir, é a verdade. A gente não está preocupado em te agradar" (confira aqui).

Well, well, well... Eles podem até não estar preocupados em agradar jornalistas e demais profissionais do meio, mas sem dúvida esperam demandam tratamento diferenciado da mídia em geral. Afinal, há pouco mais de um mês, Bolsonaro fez ameaça velada à Rede Globo alegando que se ela continuasse a "pegar pesado" com ele, cortaria suas verbas públicas drasticamente. 

Acatando a ordem ou subestimando a ameaça, é fato notório que a Globo "pegou leve" com o candidato, o qual, tão logo eleito, aproveitou a constatada subordinação para subir na bancada do principal jornal do país e dar um cala boca em outro veículo de grande circulação, a Folha de S. Paulo, com as mesmas intimidações. Foi o estopim? Creio que ainda não, mas deu para provocar uma boa reação negativa.

Até então, ao terem jogado para escanteio tanto o discurso virulento quanto o comportamento truculento que Bolsonaro investiu contra profissionais da área de comunicação, deixando de classificá-lo, inclusive como populista da extrema direita, eis que esses meios pavimentaram o caminho para que ele agora lhes pisasse sobre as cabeças como bem entende até que lhes reste apenas escrever poemas e receitas de bolo. A não ser que escolham resisti, seguindo as palavras de George Orwell (autor do livro "A Revolução dos Bichos" que precisa ser urgentemente lido por vários brasileiros), "jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." 

Agora, quem não quer esperar para ver onde isso vai dar e prefere trabalhar em um local onde há garantia de liberdade de imprensa, pode se candidatar para a bolsa da Fundação Heinz Kühn, com sede em Düsseldorf, Alemanha. A recomendação tem fundamento nos próprios princípios da Fundação:

(...) A fundação Heinz Kühn é uma entidade do estado da Renânia do Norte-Vestfália. Fundada no ano de 1982 se presta ao desenvolvimento de jornalistas. O governo estadual reforça, com isso, o significado do dever do crescimento jornalístico para a vida em uma sociedade democrática (grifo meu).

Parece que é exatamente o que estamos precisando neste momento da história brasileira... Então, que tal dar uma olhadinha nos requisitos para concorrer à bolsa da Heinz Kühn?

REQUISITOS

  • Especial interesse em políticas de desenvolvimento;
  • Curso superior em Jornalismo e experiência na área;
  • Idade limite de 35 anos;
  • Comprovante de conhecimentos linguísticos básicos em alemão.

Coisinha pouca, não é mesmo? Agora vamos aos benefícios:

BENEFÍCIOS 
  • Ajuda de custo para despesas pessoais durante a permanência na Alemanha (a bolsa é calculada de forma a cobrir os custos básicos de permanência);
  • Passagens aéreas de ida e volta;
  • Ajuda de custo adicional para compra de livros e para viagens pela Alemanha;
  • Curso de alemão, de até quatro meses, nos Institutos Goethe de Düsseldorf e Bonn;
Além disso, antes da concessão da bolsa e durante a permanência do bolsista na Alemanha, a Fundação Heinz Kühn oferece um acompanhamento profissional adequado às necessidades de cada bolsista. Podre de chique!

Quanto à duração, é de apenas 4 meses, mas julgo tempo o suficiente para você ter uma ótima oportunidade de expandir contatos profissionais e trocar experiências, ao ponto de, quem sabe, conseguir abrir novas portas acá na  terra da Deutsch Welle no futuro próximo. A propósito, é possível que, com a bolsa da Heinz Kühn Stiftung, você seja escalado(a) para estagiar na Deutsche Welle, em Bonn.

Em contrapartida, a Fundação Heinz Kühn pede que os(as) bolsistas apresentem um relatório sobre suas atividades na Alemanha ao final de sua estada no país. Moleza, né? Agora só falta reunir a documentação necessária!

DOCUMENTOS

Os seguintes documentos devem ser enviados: 
  • Currículo em alemão (modelo de tabela) com uma foto recente;
  • Certificado da profissão exercida;
  • Certificado de conhecimentos linguísticos em alemão;
  • Um texto explicando as motivações pessoais do candidato e seus temas de interesse.

INSCRIÇÃO

As propostas devem ser enviadas até 30 de novembro (anualmente). O processo de seleção termina em março do ano seguinte. Em uma pegada um pouco old school, a Heinz Kühn exige que os documentos sejam enviados somente por correio (e não por e-mail) para o seguinte endereço: 

Ministerpräsident des Landes Nordrhein-Westfalen
Heinz-Kühn-Stiftung
Stadttor 
140190 Düsseldorf 

Para mais informações, acesse a página da Heinz Kühn (aqui).
Foto: Jongsun Lee @ Unsplash

Ainda não consegue acreditar que o Ministério do Meio Ambiente será fundido ao da Agricultura? Entendo sua dor. A decisão era, no entanto, uma tragédia anunciada, afinal o presidente recém-eleito já havia demonstrado em mais de uma ocasião total desprezo pelas causas ambientais, o que confere um caráter indefinido ao futuro de nossos bens naturais e seu manejo em sintonia com as melhores práticas internacionais. Nossa única certeza é que surpresas medidas desagradabilíssimas como essa serão cada vez mais comuns nos próximos quatro anos. A gente fica um pouco sem chão, mas saiba que nada está perdido. Para ajudar a enfrentar este período turvo da história brasileira, convido a você tentar uma bolsa de mestrado em gestão do meio ambiente na Alemanha e no México. Acho que novos ares vão lhe fazer bem. Confira como funciona:

**Atenção: antes de continuar lendo, saiba que este programa é voltado para mexicanos, alemães e latino-americanos. Se você faz parte daquele seleto grupo de brasileiros que abomina a cultura da América Latina (que inclui Cuba, Veneza, Colômbia e afins), recomendo a não seguir em frente, pois ~corre grande risco~ de encontrar algum(a) representante desses países durante o mestrado.

A primeira coisa que você precisa saber é que é um curso "dual", isto é, parte no país do Chaves e outra parte no país da Oktoberfest.  Os dois primeiros semestres são no México e, o terceiro, na Alemanha. E olha que surpresinha que você não esperava: o quarto e último semestre pode ser feito no México ou na Alemanha ou mesmo em outro país de sua escolha, desde que esteja relacionado ao tema da sua pesquisa. Tipo Tailândia. Já pensou? Mas, pense bem, aquelas praias lindas da Tailândia seriam muita distração, desviando o foco do seu último semestre - que é escrever sua dissertação.

REQUISITOS

Bom, de qualquer maneira, a ideia parece boa, não é mesmo? Se te agrada, prepara-se para se candidatar. Você vai precisar:
  • Estar graduado(a) em uma área relacionada à gestão ambiental;
  • Ter conhecimento prático na área de gestão do meio ambiente por meio de projetos desenvolvidos durante os  estudos ou da experiência profissional;
  • Apresentar rendimento mínimo 8, de acordo com o sistema mexicano;
  • Apresentar certificado de proficiência em inglês;
  • Apresentar certificado de proficiência em espanhol;
  • Estar preparado(a) e motivado(a) para para ingressar em um ambiente multicultural.

Além disso, outras condições impostas pelo DAAD para concessão da bolsa incluem não estar formado(a) há mais de seis anos, apresentar comprovante da situação profissional no momento da candidatura e ter no mínimo dois anos de experiência profissional. Saber um pouquinho de alemão conta como vantagem!

INSCRICÃO

Se você disse "sim, me encaixo" a cada um dos quesitos acima, é hora de providenciar os itens da seguinte listinha básica e que devem ser enviados à ambas as universidades:

  • Formulário de candidatura (aqui);
  • Formulário do DAAD (aqui);
  • Carta de motivação;
  • Diploma de graduação;
  • Histórico acadêmico;
  • Média obtida na graduação (com explicação sobre o sistema de ensino);
  • Diploma do ensino médio;
  • Currículo (em tabela);
  • Comprovante da experiência profissional;
  • Comprovante da situação de trabalho atual;
  • Certificado de inglês;
  • Certificado de espanhol;
  • Certificado de alemão (se necessário);
  • Projeto de pesquisa (2 páginas);
  • Duas cartas de recomendação;
  • Cópia da certidão de nascimento (não precisa ser traduzida);
  • Cópia do passaporte;
  • Checklist dos documentos (aqui).
Você pode decidir se candidatar até 31 de janeiro de 2019 (talvez 30 dias de governo Bolsonaro terminem de te convencer a investir nesta ideia?), mas como sempre digo por aqui: adote de pronto o estilo de vida alemão e não deixe nada para última hora. Junte tudo, salve em PDF, nomeia com as orientações oficiais e envie para info-enrem@itt.th-koeln.de e pmpca.enrem@gmail.com. Espere até março por uma resposta positiva (estou torcendo por você) e, caso seja seus documentos sejam aprovados, você será convidado(a) para uma entrevista, em inglês e espanhol. Ainda em março você deve receber a notícia de que é o mais novo estudante tanto da Universidade Técnica de Colônia (TH Köln), na Alemanha, quanto da Universidade Autônoma de San Luis Potosí, no México, e em setembro estará partindo para conhecer a terra natal do Seu Madruga.

BENEFÍCIOS

"Currywurst", típico alemão.
Bom, agora que listei todos os seus deveres, vamos para seus direitos como bolsista de uma dessas instituições. Uma opção é se candidatar para a bolsa de mestrado do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) que cobre as taxas universitárias, uma quantia de 850 euros mensais para custos de vida, as despesas com viagem e o seguro-saúde por dois anos. A outra opção é a bolsa parcial do CONACyT, do México, que cobre somente os custos de vida estudantil, ficando por sua conta pagar as taxas universitárias. Tampouco estão inclusas financiamento de gastos com passagem aérea e seguro-saúde. Neste último caso, fica a dica de sempre: faça uma vaquinha virtual com amigos e amigas que lutaram ao seu lado pela democracia e prometa, em contrapartida, aprender a fazer burritos e currywurst para cozinhar para eles quando estiver de volta ao Brasil. Acho que enviar garrafas de tequila ou Paulaner também funcionaria bem para convencer seus investidores.

No mais, boa sorte!
Não deixe de se inscrever.
Se tiver dúvidas ou precisar de apoio moral, conte comigo: envie uma mensagem no formulário de contato e respondo o mais breve possível.




Que tal se aperfeiçoar na arte do #elenão em uma das renomadas instituições de ensino superior no país da marcha contra PEGIDA (movimento tudo de ruim), também conhecido como Alemanha?

Brincadeiras à parte, gostaria de compartilhar que o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) está com inscrições abertas até 30 de novembro para concessão de bolsas de estudos em cursos de pós-graduação na Alemanha em faculdades públicas ou reconhecidas pelo governo alemão (staatlich anerkannt) nas áreas de artes plásticas, cinema ou design. 

Aí, você me pergunta: 

Jana, que mara! Acabei de me formar em cinema e, como você sabe, foram cortados vários recursos na área audiovisual, estão fechando museu e, desde a eleição do Inominável, lançaram até uma lista de boicote a mais de 700 artistas que foram contra ele...  enfim, um ataque à cultura em geral. Tudo agora é culpa da Lei Ruanê... mas eu estava querendo criar um roteiro nos moldes daquele documentário que mostra os bastidores do impeachment da presidenta Dilma, sabe? O Processo, de Maria Augusta Ramos. Soube que recebeu diversos prêmios em países como Suíça, Portugal, Espanha e foi até aplaudido em pé em Berlim. Seria um sonho desenvolver essa ideia numa universidade babado alemã! Me conta, o que tenho que fazer?
Eu respondo: Simples! Se você está no último ano da graduação, matriculado(a) em uma universidade brasileira, e é também recém-formado(a), com título de bacharelado/licenciatura ou mestrado, pode se candidatar a viver uma das experiências mais emocionantes da sua vida acá nas terras teutônicas a começar por escolher a(s) instituição(ões) de sua preferência e se candidatar ao(s) curso(s) desejado(s) diretamente junto à instituição para o semestre 2019/20. Paralelamente, candidate-se no portal do DAAD para solicitar a bolsa de estudos. Lembrando: o prazo de inscrição é 30 de novembro. Se realmente queira vir para Alemanha, aconselho a entrar no ritmo alemão e não deixe para última hora. Aliás, a Alemanha é um país de muitos deveres, mas também muitos direitos. 

REQUISITOS

Vamos começar com quais requisitos você deve ter para concorrer à esta bolsa e garantir sua vaga:
  • Estar graduado(a) em Artes Plásticas, Design, Cinema e/ou Comunicação Visual;
  • Ser aprovado no curso de pós-graduação em uma instituição alemã com início a partir de outubro de 2019;
  • Rendimento acadêmico excelente;
  • Excelente habilidade artística comprovada por portfólio;
  • Conhecimentos linguísticos de inglês (ou alemão). O nível de conhecimento de alemão exigido é definido pelo(a) professor(a)/orientador(a) ou por normas da universidade. 
❗Atenção❗

Sorry, você não pode se candidatar se estiver residindo há mais de 15 meses na Alemanha no momento da inscrição. O mesmo se aplica a aqueles(as) cujo último título acadêmico (graduação) tenha sido obtido há mais de seis anos. Mas não perca as esperanças! Continue acompanhando o blogue que, tenho certeza, encontrará uma oportunidade de vir à Alemanha dentro do seu perfil.

BENEFÍCIOS

Para quem chegou até essa linha e respondeu positivamente a todos os requisitos listados acima, conheça seus direitos, vulgo benefícios, que poderá desfrutar quando conseguir a bolsa do DAAD:

  • Bolsa mensal de 850 euros (valor sujeito a alterações). 
    • Esta quantia é suficiente para um(a) estudante, mas, na real, pode ser apertada caso precise pagar aluguel.
  • Auxílio para passagem aérea de 1.550,00 euros (depositado na Alemanha junto com a primeira mensalidade da bolsa). 
    • Logo você deve fazer uma vaquinha virtual entre seus amigos que ajudaram na luta a favor da democracia no Brasil para comprar a passagem de vinda. Prometa que enviará chocolates e cervejas, além, claro, de fazer o mesmo quando eles(as) mesmos(as) resolverem se candidatar no futuro. 
  • Seguro-saúde. 
    • Finalmente, espero que não precise, mas você vai conhecer o sistema de saúde alemão, como o Hausarzt, que em certa medida me lembra o programa Mais Médicos.
  • Curso preparatório de alemão. 
    • Mesmo que seu curso seja em inglês, aprenda alemão para poder responder a provocações ou lidar em situações inesperadas no dia a dia.
INSCRIÇÃO

Gostou de tudo que leu até aqui e acha que tem chances de ser o(a) próximo(a) felizardo(a) a estudar na Alemanha? Então, se joga no processo de candidatura, que deverá ser realizado em três etapas:
  • Inscreva-se no curso de pós-graduação escolhido seguindo as instruções de cada faculdade.
  • Inscreva-se online pelo portal do DAAD até 30 de novembro. 
  • Apresente portfólio e uma cópia do formulário online até 30 de novembro via correio (data da postagem). 
  • Os(as) interessados(as) em bolsas na área de Artes Plásticas devem observar as orientações deste vídeo sobre como montar o portfólio.
Se acha que não foi dessa vez, como disse acima, não desanime: o DAAD também oferece bolsas para formados(s) em música, arquitetura, artes cênicas e dança, além de muitas outras áreas de ciência e tecnologia, afinal, a Alemanha fomenta diversidade e integração. Assim que essas oportunidades forem divulgadas, repasso para vocês! 

No mais, sobrou alguma dúvida ou está precisando de apoio moral para saber se realmente vale a pena? Sem problemas: deixe uma mensagem na caixinha de contato que respondo tão logo possível. 

Abraços de quem está torcendo pra você vir para Alemanha também,

Jana.
Foto: Anastasia Dulgier @ Unsplash

Lançado pelo governo Dilma, o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) custeou o intercâmbio de milhares de estudantes brasileiros em universidades estrangeiras de grande renome "com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação." Alguns dos jovens contemplados pelo programa estavam experimentando a oportunidade de sair do país pela primeira vez, o que talvez não teria sido possível de outra maneira. Muitos retornaram ao Brasil com enorme bagagem teórica, prática e cultural, com a qual desenvolveram projetos e recebendo prêmios de grande valor para a população, o meio acadêmico e, claro, o governo. Infelizmente, o programa foi gradativamente interrompido após a ascensão de Temer ao poder, que não criou nenhum substituto capaz de incentivar treinamentos especializados em áreas de ciência e tecnologia - pelo contrário, adotou medidas que minaram ainda mais o ensino superior brasileiro e comprometeu o desenvolvimento em termos de ciência e inovação.

Porém, algumas instituições atuantes no Brasil também buscam viabilizar o envio de estudantes, pesquisadores e profissionais brasileiros ao exterior, como o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) que já financiou mais de 3 mil brasileiros na Alemanha. Eu mesma fui selecionada para me beneficiar em um desses programas, mas tive que abdicar em prol do meu trabalho voluntariado. 

Em vista da atual conjuntura nacional, a qual não vejo perspectiva de melhora no horizonte próximo, em especial para a parcela da população mais vulnerável, resolvi engajar este blogue na divulgação de bolsas de estudos (e, quando possível, oportunidades de trabalho) para incentivar amigos e colegas no Brasil que, assim como eu e muitos estudantes do CsF, possam ter a chance de conhecer os benefícios educacionais e sociais de uma democracia plena como a Alemanha. 

Começarei indicando o Programa EPOS, oferecido pelo DAAD, que concede bolsas de estudos  em 40 cursos de mestrado ou doutorado na Alemanha, ministrados em alemão ou inglês, em uma das seguintes áreas:

  • Ciências Econômicas e Política Econômica
  • Cooperação para o Desenvolvimento
  • Engenharia e disciplinas afins
  • Matemática
  • Planejamento Urbano e Regional
  • Agronomia e Silvicultura
  • Ciências Naturais e Ciências do Meio Ambiente
  • Medicina e Saúde Pública
  • Ciências Sociais, Educação e Direito
  • Estudos de Mídia

Todas as informações sobre os cursos e pré-requisitos estão disponíveis neste link (em inglês e alemão). A lista com os cursos que integram o Programa EPOS e os respectivos prazos de inscrição, que vão até 31 de maio de 2019, podem ser consultados nesta tabela. Cada instituição tem um prazo de inscrição próprio, que deve ser feita no site da universidade alemã.

Segundo informações da página do DAAD, os candidatos ao EPOS devem ser atuantes no planejamento e execução de projetos voltados para políticas de desenvolvimento ou na cooperação para o desenvolvimento, seja em instituições/empresas públicas ou privadas. Além de excelente rendimento acadêmico, o requisito básico para uma candidatura é ter o mínimo de dois anos de experiência profissional na área do curso pretendido após a conclusão da graduação. Essa conclusão não pode ter ocorrido há mais de seis anos no momento de início do curso escolhido pelo candidato. É preciso comprovar o nível de alemão ou inglês exigido por cada instituição.

Os contemplados pelo Programa EPOS recebem bolsa mensal, seguro-saúde, ajuda de custo para passagem aérea e curso preparatório de alemão no período de um e três anos, dependendo do curso. Como expliquei nessa postagem, esses benefícios são essenciais para quem deseja estudar na Alemanha.

Pesquisas do DAAD mostram que, atualmente, cerca de metade dos bolsistas do EPOS são mulheres. Você, mulher, que votou no Haddad, está mais do que encorajada a se candidatar também. Entre em contato pelo formulário e lhe ajudo no processo seletivo com o maior prazer!
Perguntei para um alemão qual era o sinônimo de Praktikabilität por esta palavra ser atípica e ele respondeu: es funktioniert ("funciona"). Eu ri, mas tive um belo exemplo prático de como os alemães traduzem praticidade: algo que deve funcionar, sobretudo de maneira fácil e organizada.

Espaço para carrinhos de bebê e cadeirantes

Os U-bahns e alguns ônibus alemães, ou pelo menos na região de Stuttgart, têm um espaço reservado, não limitado, para carrinhos de bebê e pessoas com mobilidade limitada. Este espaço tem um banco a menos ou banco retrátil e fica próximo à porta. Não é proibido se sentar ali quando não houver nenhum carrinho de bebê ou cadeirante por perto, mas se deve ceder o lugar assim que um desses embarcarem no transporte.

Também acho bem legal que os ônibus são equipados com um sistema hidráulico que o rebaixar até o chão para a subida do passageiro. Nunca havia pensado sobre a utilidade disso até que um alemão, com seu olhar cultural, contava a outro que os ônibus no Brasil não têm o sistema, o que dificulta o acesso a idosos e crianças.

Itinerários nos pontos de ônibus e estações de trem

Nas estações de trem e nos pontos de ônibus da Alemanha geralmente têm um quadro informativo com a listagem das linhas que passam naquele local, detalhando o trajeto estação por estação e, inclusive, tempo de duração entre uma estação e outra. Isso não impede, claro, de as pessoas perguntarem ao motorista, no caso do ônibus, se ele passa por este ou aquele local. Vi acontecer em Berlim.... ao que o motorista mandou o turista conferir no quadro. 


Assim que você pega o transporte, é possível que encontre painéis eletrônicos e/ou anúncio de voz indicando as próximas paradas e até as conexões com outros transportes e o devido horário. Nos trens, geralmente há um mapa das linhas do metrô.





Nos S-Bahn (trens de alta velocidade) e U-bahns ou Strassenbahn, o painel eletrônico avisa o horário previsto de chegada em determinada estação; se estiver atrasado, indicará também. Recomendo baixar o aplicativo da operadora de transporte local e conferir em tempo real as melhores conexões. Alguns, como da VVS de Stuttgart e da Deutsche Bahn de toda a Alemanha, notificam quando ocorre algum problema (Störung) que causará o atraso do transporte.

Lembre-se sempre de ler as letras miúdas já que indicam que o trajeto pode ser encurtado a partir de um determinado horário.

Beber água diretamente da torneira

Água potável alemã tem excelente qualidade - tanta que é possível saciar sua sede a partir da torneira de casa ou de um banheiro público, por exemplo. Confesso que no começo fiquei meio receosa, mas com o tempo passei sempre a pedir somente pela Leitungswasser (água da torneira) já que detesto agua com gás. O interessante é que o hábito de beber água da torneira nos mostra que ela de fato tem sabor diferente dependendo da cidade. Algumas, como Colônia (Köln), a água consumida pela população não vem do rio, mas de poços naturais em sua maior parte. Assim, a água recebe pouquíssima interferência de química humana. Por outro lado, a água alemã tem uma concentração de cálcio, potássio e de magnésio muito alta que, embora não afete o organismo humano em si, deixa uma crosta branca nos utensílios domésticos e, infelizmente, não faz tão bem aos cabelos. Também convém mencionar que o encanamento de muitas casas antigas eram à base de chumbo, logo a água consumida nesses lugares poderia causar mal estar devido ao chumbo diluído no líquido. Claro que muitos dos canos de chumbo foram substituídos, sendo hoje uma raridade.

Carrinhos com "cadeado" e filas rápidas

O mercado alemão, como o brasileiro, disponibiliza os carrinhos de compras tudo enfileirado bonitinho. A diferença é que na Alemanha os carrinhos são presos uns aos outros por uma corrente com uma espécie de chave e só são liberados após a inserção de uma moeda, uma ficha ou um chaveiro no formato adequado. Quando terminar as compras, basta retorna aos demais carrinhos e "trancar" o que você pegou com a chave para recuperar sua moeda e contribuir com a organização.




O bom desta tática é que facilita mais a vida dos trabalhadores do local que não precisam ficar recolhendo carrinhos pelo supermercado ou estacionamento deixados a esmo pelos frequentadores. Novamente: é claro que algumas pessoas não devolvem o carrinho ao local correto, porém, é raro ver essa situação. Afinal, poucos desdenham uma moeda de um euro ou 50 centavos.

Certamente, muitos compatriotas e outros estrangeiros ficaram impressionados (ou horrorizados) ao presenciarem pela primeira vez a “pressa” (alguns dirão “estresse”) com que os alemães colocam suas compras na esteira do caixa, o(a) atendente já as despacha, e quando você vai ver, o cara já está lá do outro lado – mais rápido do que a velocidade da luz – pronto para guardar as compras nas caixas de papelão que encontram pelo supermercado mesmo, ou nas bolsas, mochilas, sacolas ecológicas ou diretamente nos carrinhos, até mesmo juntando tudo nos braços só para liberar o caixa para o próximo que já vem vindo na fila neste mesmo ritmo eufórico. Sei que o processo em si parece um pouco exagerado e chega a provocar certo desespero nos menos treinados tanto na arte de liberar espaço para o próximo cliente quanto de jogar tétris na vida real.

Críticas e nervosismos à parte, toda a gente aprende que funciona - nem que seja na marra. Se por um lado os alemães se comportam como se não houvesse amanhã, por outro não agem como se tivessem todo o tempo do mundo. Associo, portanto, este ritual com praticidade porque dificilmente enfrentamos longas e demoradas filas na Alemanha. Aliás, se a fila de um caixa começa a crescer muito, um funcionário abre temporariamente outro caixa para agilizar o processo de pagamento. Aí, meu amigo, os alemães perdem a compostura: avançam pro caixa seguinte como se ali os produtos saíssem de graça. Por fim, quem curte guardar suas compras mais sossegado pode apinhar os produtos no carrinho e depois se dirigir a uma das bancadas disponibilizadas no mercado reservados para isso.

Cardápios no lado de fora do restaurante

No Brasil, é comum ter que entrar no restaurante para ver a opção de preços e pratos. Até aí tudo bem. O problema foram as vezes em que me dei conta que nada que a casa oferecia me agradava, porém sentia aquele constrangimento de me levantar e ir embora depois da gentileza do(a) atendente trazer o cardápio e ficar a postos esperando pelo pedido! O bacana é que na Alemanha é comum encontrar o cardápio exposto do lado de fora com os pratos principais e os valores. Então, da porta mesmo, você pode decidir se deseja consumir ali ou simplesmente buscar outro lugar. 


Münzzählmaschine: máquinas de contar moeda

Em alguns ônibus e postos de gasolina, ao pagar com moedas, nem sempre se deve dá-las para o(a) atendente; quando você estender a mão para entregar o dinheiro, ele ou ela apontará uma máquina onde você deverá depositá-las. A contagem é feita automaticamente e, no caso de valor excedente ou troco, você recolhe o que a máquina devolver. Se estiver faltando, a máquina informará também! O sistema, mais do que questão de praticidade, me parece uma forma de evitar erro humano. Aliás, enquanto no Brasil é considerado falta de educação quando o(a) vendedora(a) não lhe entrega o dinheiro nas mãos, na Alemanha a maioria dos estabelecimentos comerciais, até mesmo pequenos quiosques nas ruas, têm um pequeno pratinho no qual se coloca o dinheiro, tanto por parte do(a) cliente quanto do(a) vendedor(a). Muitas vezes, devolvem seu troco diretamente no balcão. Neste caso, me pergunto se não é uma forma de evitar contato humano.


Zigarettenautomat: máquina de vender cigarro

Descobri, por acaso, que máquinas de vender cigarro eram populares em vários países até serembanidas nos últimos anos, mas permanecem firmes e fortes nas cidades alemãs. 

Os alemães fumam muito, jovens (às vezes muito jovens) e velhos, então acredito que para eles é uma questão de praticidade (e necessidade) disporem de Zigarettenautomat, como é chamada essa máquina, em toda parte: dentro dos bares, cafés, universidades e nos bairros. Se você fuma, certamente ficará contente de poder comprar seu cigarro em (quase) qualquer lugar e hora - precisa apenas ter mais de 18 anos.



Trancar a porta sem usar a chave e abrir duas portas diferentes com a mesma chave?

Para "fechar com chave de ouro", uma comodidade na Alemanha é que uma única chave pode ter a dupla função de abrir tanto a porta ou portão principal do prédio quanto do apartamento. Isto facilita sua vida no sentido de que não precisa daquele molho de chaves na hora de abrir a porta, mas também pode causar enorme dor de cabeça se perder esta única chave (assunto para outra história que publico em breve). Outra coisa bem legal por aqui (talvez exista no Brasil, nunca vi) é possibilidade de travar portas sem necessariamente trancá-las: assim que a porta fecha completamente, quem está do lado de fora não consegue abrir sem as chaves e quem estiver do lado de dentro, fica livre para abri-la a qualquer tempo. Isto é possível porque a maioria das portas na Alemanha têm um sistema de dois eixos: uma maçaneta fixa (Türknauf) no eixo do lado externo e uma maçaneta móvel (Türklinke) no outro eixo, do lado interno. Nem preciso dizer que essa utilidade também gera transtornos se esquecer as chaves em casa...