A nossa hora de pagar nossa língua sempre chega.
E chega com gosto.
Eu dizia que nunca tinha vontade de conhecer o Rio. Preferia ir para o Nordeste.
Na verdade, algumas vezes cogitei fazer isso e, como apareceu uma viagem de última hora à cidade maravilhosa, lá fui eu por dois dias em 2013.
Quando visito uma cidade litorânea, como foi o caso de Recife em 2012, não há nada que eu goste mais do que acordar cedinho e caminhar descalça na praia.
Para mim, afundar os pés na areia enquanto escuto as ondas quebrando na beira-mar é quase tão perfeito para pensar sobre a vida quanto quando estou nadando.
Por isso, perguntei aos locais a que horas o sol nascia em Recife. Depois de me informarem o horário, ficaram intrigados quando expliquei por que queria saber. É claro que acharam que eu era louca.
Quem em estilo de semi-férias - na verdade, estava lá para um congresso - pensa em madrugar em vez de dormir um pouco mais? Em todos os outros casos sou assim, mas não quando o mar está bem de frente para mim.
Eu faria uma conexão de 11 horas em Fortaleza no voo de de retorno ao Brasil.
Certamente não gostaria de repetir a experiência de esperar tanto tempo em um aeroporto, como acoteceu em Frankfurt ano passado, então escrevi amigos para ver se tinham a disponibilidade de me resgatar dali e, com muita sorte, levar para um mergulho no mar depois de dois anos.
Começou assim:
Eu: Matheus, a gente tá indo pra França.
Matheus: Fechou!
Daí ele desceu de Heidelberg, onde estuda Filosofia e Estudos Indianistas, na sexta-feira e no sábado já estávamos a caminho de Strasbourg, uma cidade francesa a uma hora e meia de onde moro.
Na verdade, a região onde estou tem fronteira com a França e a Suíça. Nove meses morando aqui, nunca fui para nenhum dos países, mesmo que a distância não passe de duas horas de carro.
Em uma conversa de Skype, meu pai e minha irmã disseram que não acreditaram que eu sairia daqui sem conhecer os países vizinhos. Uma colega da Polônia, recém-chegada do Japão, visitou a França em menos de uma semana na Alemanha. Disse-me que era realmente inacreditável que ela, em tão curta estadia, já tinha se debandado para lá e eu não.
Foi aí que achei que era hora de fazer uma viagem rapidinha, essa de um dia, só pra descarregar a tensão do trabalho. Aproveitando que teria três dias de folga seguidos, decidi que meu destino seria pra fora da Alemanha, afinal ainda tinha essa pendência.
Daí que eu tava cansada de só trabalhar e chegar em casa e desabar na cama, ainda mais quando vi meus horários da próxima semana. Então, resolvi dar um alô para um amigo, alemão que morou em Brasília, perguntando se poderia dar uma visita rapidinha, em uma viagem do tipo bate-volta só pra descarregar a tensão, além de, claro, curtir um pouco a companhia um do outro. Ele disse sim - iupi! - e lá fui eu: viagem de duas horas e estava em Franfkurt, sua maravilhosa.